“Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar” Diferente do que Cecília Meireles escreveu em seu poema, o meu sonho não naufragou, mas coloquei, sim, meu sonho naquele navio.
Tive a oportunidade de fazer um cruzeiro no carnaval e realmente fiquei encantada. O navio era exuberante, com uma estrutura fantástica Ao chegar no porto de Santos, fiquei espantada com o número de jovens, famílias, pessoas de idade. Eram gerações diferentes com um único propósito: Se divertir.
Ao entrar no navio, não nego, me bateu um certo medo. Ainda mais quando entrei na cabine e vi que o que estava passando na televisão era o filme Titanic. Tirando isso, consegui relaxar a viagem inteira. A cena mais linda que pude presenciar foi quando o navio saiu do porto. As pessoas de um navio se despediam das pessoas que estavam no navio ao lado. Vi famílias em suas lanchas, acompanhando o navio até certo local, para poder despedir do filho. Jovens em jest ski fazendo manobras sobre o mar se exibindo para os passageiros do navio. E neste exato momento, você começa a pensar na imensidão daquele mar e na beleza que a natureza traz consigo e que nem sempre é apreciada no dia a dia, pelo fato de vivermos em um mundo imediatista.
É impressionante, o tanto de comida que nos oferecem, dá para engordar alguns quilos em apenas sete dias. O café da manha é recheado de frutas, paes, geléias, sucos etc. E o almoço e jantar, é de um requinte apreciável. Sem contar na educação dos garçons e de todos que estão ali para nos recepcionar. Claro, que infelizmente, em todo o lugar que nos estivermos sempre existirá pessoas mal educadas, que não sabem se portar e respeitar o próximo. Vi também cenas lamentáveis, como jovens entrando no restaurante só de sunga e muitas vezes só enrolados na toalha de banho.
A animação dentro do navio é constante, brincadeiras, shows na beira da piscina faz com que o dia acabe, a noite chegue e as pessoas continuem ali.
São sete dias que você realmente consegue se desligar da realidade em que vive.
As opções de lazer são variadas. Há academia, massagem, biblioteca, boate, cassino, cinema, lojas, bares, teatro etc.
As apresentações de teatro merecem uma atenção especial, porque são fantásticas. O empenho dos atores é de se admirar. Foram musicais, apresentações de mágica, inesquecíveis.
Os shows de jazz e blues nos bares são lindos. E a sensação de caminhar na esteira, da academia do navio, olhando o mar é única. Você consegue ficar horas sem notar a hora passar.
As massagens, que são cobradas, mas que valem a pena serem pagas, são feitas com óleos de pétalas de rosas, com pedras quentes. Você se sente na Índia, sem precisar de fato estar lá.
A primeira parada foi em Búzios. o que já foi uma pequena vila de pescadores, atualmente, é um lugar muito charmoso, onde a maioria dos estabelecimentos são ateliês, pousadas, sofisticados cafés ou rústicos restaurantes. A musa Brigitte Bardot,depois de ter passado pelo lugar na década de 60 atraiu a atenção dos artistas e turistas do mundo inteiro. A cidade recebe correntes marítimas do Equador de um lado e correntes marítimas do Pólo Sul do outro, o que faz com que tenha praias tanto de águas mornas quanto de águas geladas, mas todas cristalinas. O lugar é um dos locais mais lindos que eu já conheci. Dá vontade de morar lá. Até porque, é constante a presença de muita gente com nacionalidades diferentes, vários estilos. Lá você encontra os melhores restaurantes, bares, discotecas, boates com uma diversidade de pratos, drinks e muita diversão.
Para as compras é encontrada uma diversidade de lojas, grifes famosas, boutiques e tudo para satisfazer o turista. Já a madrugada em Búzios não tem hora para acabar e você sempre encontra alguma coisa para fazer.
Em seguida, fomos com destino a Salvador, estava curiosa para conhecer o carnaval de lá, mesmo não gostando muito destes dias de folia. Ao chegar, é impossível não pensar na história desta primeira grande metrópole portuguesa nas Américas. Salvador, é incontestavelmente, uma cidade multicultural, folclórica, colorida, cheia de manifestações por todos os lados.
Originária da mistura das raças e culturas dos portugueses, negros e índios - possui atualmente 2,7 milhões de habitantes, sendo a terceira mais populosa do Brasil. Dona de uma forte afrodescendência, espalhada pelos becos, ladeiras e ruas, o que é um de seus orgulhos.
Sua geografia quase debruçada sob o mar, permitiu o desenvolvimento de uma das cidades mais belas do mundo, separada entre Cidade Baixa e Alta, com praias paradisíacas. As belezas naturais e os sítios históricos - que se desenvolveram ao longo dos seus anos - fazem do turismo a principal fonte de renda.
Os atabaques e agogôs dos terreiros de candomblés, os capoeiristas no Mercado Modelo, as baianas típicas no Centro Histórico, o sincretismo religioso - que mistura às reverências aos orixás a santos católicos - torna Salvador uma cidade ímpar. Digna de seu povo sorridente, receptivo, festeiro e alegre. Em cada rito, em cada movimento, transcende a magia do seu povo.
Da criatividade de Dodô e Osmar, na década de 40 do século passado, surgiu o trio elétrico, palco móvel que arrasta multidões, fazendo do Carnaval de Salvador a maior festa de rua do mundo nos dias atuais. É impressionante a multidão que vai acompanhar o carnaval de Salvador. Para quem não está acostumado dá um certo medo, mas logo você se adapta aquele ambiente e deseja que todos os carnavais sejam passados ali.
Por toda a cidade, há uma interação harmoniosa entre o antigo e o moderno. As estruturas seculares e prédios contemporâneos dão o toque da multiplicidade do que significa Salvador. E o acarajé borbulhante no azeite, as cores, sorrisos são únicos, de um encanto e magia singular.
Na volta, finalizamos indo até Ilha Grande no Rio de Janeiro. A primeira sensação é de que você está dentro do filme lagoa azul. A água é muito cristalina, a areia muito clara e a vegetação muito verde. As cores são vivas, parece que aquela cena foi pintada.
Fiquei sabendo que dois anos após o Descobrimento do Brasil o navegador Gonçalo Coelho que já havia batizado o Rio de Janeiro, descobriu em 06 de Janeiro a Ilha Grande. O nome surgiu por índios Tamoios que a chamavam de "Ipaum Guaçu", expressão que significa Ilha Grande.
Registros históricos descrevem as florestas da Ilha Grande como as mais bonitas do início da colonização, pois, estas chegavam até a beira do mar. Havia troncos de árvores de descomunal tamanho. Laranjeiras e limoeiros nasciam e cresciam, por dádiva da natureza. As matas eram muito densas, dificultando a caça e naquela época, eram habitadas, em grande população, por jacarés, lagartos, macacos (ainda existem vários bandos), ouriços, pacas, jaguatiricas, gambás, ratos e jararacas.
No oitavo dia, já estava em casa, desfazendo as malas, baixando as fotos no computador e lembrando de tudo que tinha visto e aprendido. E como no poema de Cecília Meireles
“Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas”.