segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A ponte e a cerca




Na vida...

Podemos escolher entre ser ponte...

Que une uma margem à outra de um rio.

Ou ser uma cerca...Que separa um território de outro.

Se compararmos...Podemos perceber que se formos ponte...

Iremos unir todas as coisas...Que por algum motivo nesta vida...

Vivem separados.

Se formos cerca...Estaremos dividindo... Marcando espaço...

Quando poderíamos formar elos...Entre mundos em duelos.

Como ponte...

Podemos aumentar amizades...

Fazer elos de ligações entre comunidades...

Amar com mais intensidade...

Juntar forças entre dois extremos em inimizades.

Como cerca...Aumentamos divisões... Isolamentos...

Deixamos a vida mais solitária...Esquecemos de ser humanitários...

Quando poderíamos nos unir a quem necessita...

De alguém mais solidário.

Sejamos nesta vida rápida e passageira...

Ponte que une... Mensageira...Elo de ligação...

Entre nações estrangeiras...Ponto de união... Simples...

Como flor de laranjeira...Lançando perfume com notas sublimes...

A solitários e sofridos corações...Que tanto o mundo reprime.

De nada nos serve a cerca...

Se formos nós mesmos a perder liberdade...

A encher o coração de saudade...

A deixar que vagarosamente nossa vida se perca.

É jubiloso se sentir ponte...

Ser para nossos semelhantes, verdadeira fonte...De amizade... União...

Alguém que na hora necessária conosco conte...

Para que possamos sentir saudável o coração.

A escolha é nossa... É minha...Ser cerca... Ou estar sozinha?

Ou ponte... E ter sempre a fronte...

Companhia... Sincero sentimento...Que à nossa vida...

Só trará acalento.

Sejamos ponte na comunidade...Ponte em nossa família...

Ponte da fraternidade...Semeando amor em grande quantia.

Sejamos PONTE...

Derrubemos CERCAS...

Seremos de companheirismo uma fonte...

Para que muitas almas não se perca.

Autora: Marilene Mees Pretti

Amor da minha vida




O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama também. Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos. Não basta nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito. Não importa que eu esqueça meu nome depois, nem que me perca num oco, ou que os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não basta que haja amor para se viver um amor. Eu e ele somos as cruzadas da idade média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo, o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo plutão que ele habita, e ele vive intrigado por minha vênus, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da cadeira. O desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas reconciliações - um dia a cama cai.

Esta semana fui ver a Ópera do Malandro em cartaz no Rio de Janeiro. Se o Chico Buarque nunca mais tivesse feito outra coisa na vida, ainda assim teria de ser imortalizado pelas alturas em que transita sua poesia nesta obra. Como ando as voltas com assuntos de amor, prestei atenção na cafetina Vitória que, do alto de sua experiência, ensinava: O amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho. É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.

Mais adiante Terezinha, a heroína quase ingênua, sofria:

Oh pedaço de mim, oh metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi.

Naquela noite, inspirada pelo Chico, voltei pra casa decidida - não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. Venho portanto, pedir a ele publicamente, que libere a vaga. É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, faça o favor de desinstalar-se. Xô. Há de haver um homem bom, me esperando em alguma esquina desse mundo. Um homem que aprecie o meu carinho, goste do meu jeito, fale a minha língua, e queira cuidar de mim. As qualidades podem até variar, mas aos interessados, se houver, vou avisando; existem defeitos que considero indispensáveis.

Meu amor tem de ter uns certos ciúmes, e reclamar quando eu precisar viajar pra longe. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída e não sei dirigir. Quando ficar surpreso de eu ter chegado até aqui sem ele, afirmarei sem ironia, que foi mesmo por milagre. Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim. Ele irá me buscar no trabalho e levará direto pra casa, nada de madrugadas na rua! Desejo enfim que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades - esse vôo alucinante e sem rumo, anda me dando um cansaço danado.

Maitê Proença

(M. de Queiroz)




"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.

(...) Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta.

Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.

Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar....

Euacredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acreditoem coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."



Fernando Pessoa




"Segue o teu destino,

rega as tuas plantas,

ama tuas rosas...

O resto é sombra de árvores alheias"

(Fernando Pessoa)

Miss imperfeita



'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.

Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

Classe é classe em qualquer lugar




Alguns pecados que, para desgosto dos professores, são tão comuns que os praticantes nem percebem que cometem:

“Nada pode ser mais feio do que comer, e, ao final, empurrar o prato para frente, em sinal de estufamento,a classe tem de ser mantida até o fim do jantar".

Mesmo se for servir uma pizza, não relaxe. Tire daquela caixa de papelão horrível e coloque num prato grande e bonito, o que constitui ótimo pretexto para nova aquisição. E por favor, esconda as garrafas de 2 litros de refrigerante em belos baldes de gelo.

Levantar correndo endoidecidamente da poltrona quando o avião pousa é desnecessário e deselegante. Fica aquela gente se acotovelando, se esbarrando para tirar as malas do bagageiro, fungando no cangote do outro. Parece a sucursal do inferno.

Numa mesa com muitos homens, a mulher cumprimenta cada um com beijinho. Ela fica muito exposta. Parece que esta querendo arrumar marido. O certo é acenar de longe para todos. E nunca cumprimente com um beijo alguém que esteja comendo.

Não fale mal dos outros. Além de ser pecado em todas as religiões,a pratica não tem nenhum custo-beneficio.
Revista Veja,maio de 2010.

Para viver um grande amor



É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.

Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,

Por amores do passado que foram em vão

É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.

É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!

É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!

É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...

Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,

Aparando as arestas que podem machucar.

É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!

E quando decidir que chegou a sua hora de amar,

Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!

De gostos, de gestos, de pele...

No modo de sentir e de pensar!

É preciso ver a luz iluminar a aura,

Dando uma chance para que o amor te encontre

Na suavidade morna de uma noite calma...

É preciso se entregar de corpo e alma!

É preciso ter dentro do coração um sonho

Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!

É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!

É preciso conquistar e se deixar seduzir...

Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!

Amar com emoção para se saber sentir

A sensação do momento em que o amor te devora!

E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,

Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!

Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado

De todos os caminhos de sua vida trilhados!

Mas se assim não for...

Que nunca te arrependas pelo amor dado!

Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...

Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!

Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.

Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.

Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...

A certeza que... realmente você amou.

A certeza que... realmente você foi amada."



Carlos Drummond de Andrade




Chico Xavier



"....Teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograma tua meta,

Busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,

Qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."


Chico Xavier

O segredo do casamento




Casei!! Foi o casamento dos meus sonhos, me senti uma princesa!

O momento mais especial e inesquecível, foi quando entrei na igreja. Quando vi o meu noivo no altar, toda a insegurança se dissipou, e foi naquele momento, que tive certeza de que estava tomando a decisão mais correta.

Não chorei ao entrar, porque fui tomada por uma alegria indescritível. Mas ao abraçar os meus familiares foi impossível conter a emoção.

Comecei o ano com o pé direito, o que parece ser bem promissor até o final de 2011.

Tive uma lua de mel maravilhosa, não posso mentir, passei alguns perrengues, mas isso torna a viagem mais dinâmica e agitada e claro, testa a nossa paciência e a cumplicidade do casal ao enfrentar problemas que não estavam no roteiro.

O fato, é que chega uma hora que ficamos loucos para chegarmos em casa, deitar na nossa cama, escolher outras roupas do armário para vestir, diferentes daquelas que estão na sua mala de viagem, e por aí vai.

Quando estávamos para voltar, bateu um certo medinho, não é nem medo, é receio a palavra mais apropriada.

E agora¿ Estou casada, não estou voltando para a minha casa! Vou agora conviver com o meu marido, uma pessoa que como eu, é cheia de manias, gostos, pudores etc.

Voltei...e sabe de uma coisa¿ pareceu ser a coisa mais normal do mundo.

Parece mentira, mas a sensação que tive é que já vivia com ele há anos. Bom...muito bom! O medo sumiu, tomei a liderança sobre a casa, como se fosse de fato minha, expus meus gostos e o que não gostava. E isso foi respeitado!

Casar é um eterno namoro, muitos dizem que é mais sério, mas se você já levava seu relacionamento com seriedade, ele continuará assim, sem grandes estranhezas.

Casamento exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.

De tempos em tempos, é preciso renovar a relação.

De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Você precisa conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial.

Com pouco tempo de casada, notei que o segredo é você viver um dia de cada vez.

Quando você pensa em um relacionamento para a vida toda, você involuntariamente acomoda. Não faz muito esforço para agradar, não tenta ser tolerante etc.

Mas, se você coloca seu relacionamento em um patamar onde suas ações são os únicos meios que podem fazer seu casamento dar certo ou não, você, também involuntariamente, se põe em constante alerta.

Tudo deve ser bem pensado, não é se anular. Mas é saber a hora exata de falar e se calar.

De expor uma opinião ou deixar que a do outro prevaleça. Relacionar-se é isso, é como em um campo de batalha, ás vezes quem ganha é quem dá um passo atrás para se proteger.

Recuar às vezes é preciso.

Se vivo um dia de cada vez, faço daquele dia o melhor que ele possa ser.

Evito brigas e o mais importante....evito a distância.

A distância seja de dialogo, toques e olhares, afasta a admiração, o carinho, a aproximação que um casal deve ter.

Chega uma hora, devido à distância, que você não conseguirá mais escutar a voz do outro ou simplesmente, o enxergar. Quando chega neste ponto, pode ter certeza que tudo acabou.

No curso para noivos,aprendi algo precioso, que por mais que os desentendimentos apareçam, porque sabemos que casamento não é um mar de rosas, é importante tentar ao máximo, nunca dormirem brigados. Resolva os problemas do dia, ao dormir.

Porque um outro dia irá surgir...e não há tempo para resolver o que já passou.

Um beijo