domingo, 26 de setembro de 2010

Metade- Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio


Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito

Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe

Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada

Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo

Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas

Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que eu mereço

Que essa tensão que me corrói por dentro

Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.


Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso

Que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui

A outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria

Pra me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo

Mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta

Mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia

E a outra metade é canção.


E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor

E a outra metade também.

Madrigal Melancólica- Manuel Bandeira

O que eu adoro em ti

Não é sua beleza

A beleza é em nós que existe

A beleza é um conceito

E a beleza é triste

Não é triste em si

Mas pelo que há nela

De fragilidade e incerteza



O que eu adoro em ti

Não é a tua inteligência

Mas é o espírito sutil

Tão ágil e tão luminoso

Ave solta no céu matinal da montanha

Nem é tua ciência

Do coração dos homens e das coisas



O que eu adoro em ti

Não é a tua graça musical

Sucessiva e renovada a cada momento

Graça aérea como teu próprio momento

Graça que perturba e que satisfaz



O que eu adoro em ti

Não é a mãe que já perdi

E nem meu pai

O que eu adoro em tua natureza

Não é o profundo instinto matinal

Em teu flanco aberto como uma ferida

Nem a tua pureza. Nem a tua impureza

O que adoro em ti lastima-me e consola-me

O que eu adoro em ti é a vida !!!

Eu desejo que desejes- Martha Medeiros




Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido,

desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas,

mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado

depois de correr ou um abraço ao chegar em casa,

desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.


Mas desejo também que desejes com audácia,

que desejes uns sonhos descabidos

e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração,

mas os mantenha acesos, livres de frustração,

desejes com fantasia e atrevimento,

estando alerta para as casualidades e os milagres,

para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.


Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras,

que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe

e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer

e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro,

eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.


Mas desejo também que desejes uma alegria incontida,

que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos,

basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar,

que desejes o bar tanto quanto a igreja,

mas que o desejo pelo encontro seja sincero,

que desejes escutar as histórias dos outros,

que desejes acreditar nelas e desacreditar também,

faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas,

que desejes não ter tantos desejos concretos,

que o desejo maior seja a convivência pacífica

com outros que desejam outras coisas.


Desejo que desejes alguma mudança,

uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma,

mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia.

Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados,

que nada fique por fazer, e desejo, principalmente,

que desejes desejar, que te permitas desejar,

pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente,

não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias,

romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários,

mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente.

Poema da Família



Quadro 'Familia', pintura de Tarsila do Amaral

Existem certas pessoas carentes de entendimento

Que acham que não foi Deus que criou o casamento

A princípio lhes parece que não foi conveniente

Unir dois seres avessos, de fato bem diferentes



Mas nós que somos cristãos e temos boa memória

Conhecemos muito bem como surgiu essa história


Adão andava ocupado trabalhando com capricho

Se esforçando o dia inteiro pensando em nome de bicho

Era tigre, porco, tatu, macaco, alce, leão

Adão andava inspirado e foi mesmo abençoado com tanta imaginação


E é possível que o sujeito também tenha reparado

Que todo animal macho tinha uma fêmea do lado

E o Senhor demais atento sondando-lhe o coração

Sentiu que era preciso dar um fim a solidão e disse:

“Adão, filho querido, não quero te ver tão só. Far-lhe-ei uma companheira,

uma jóia de primeira, da costela e não do pó”



E pondo Deus em ação aquilo que pretendia

Nocauteou o nosso Adão dando início a cirurgia

E Deus cerrou-lhe a costela pondo carne no lugar

E assim fez a princesa esperando ele acordar


Quando o varão despertou daquele sono pesado

O corte da cirurgia já tinha cicatrizado

Então Deus trouxe a varoa e entregando a Adão

Ouviu um brado de glória e a seguinte exclamação

“Ela é carne da minha carne, ela é osso do meu osso”

E Adão foi prá galera e fez aquele alvoroço



A partir daquele dia o homem bem mais ocupado

Deixou para trás muito bicho sem nome catalogado

E até hoje rola um papo machista e bem corriqueiro

Que o homem é mais importante porque foi feito primeiro



Algumas mulheres se irritam e afirmam de arma em punho

Que a vida da obra prima vem sempre após o rascunho

Mas há também homens que falem e há quem acredite

Que Deus fez Adão primeiro para Eva não dar palpite



Mas isso é irrelevante para o sucesso da vida a dois

Para ser feliz não importa quem veio antes ou depois



Porque Deus fez tudo perfeito e discorde quem quiser

Mas o melhor da mulher é o homem e o melhor do homem a mulher
 
 
Caso queiram vê-lo recitar tal poesia cliquem:  http://www.youtube.com/watch?v=gxmZqTj19yo&NR=1

Aprenda a não ser perfeita!‏ - Martha Medeiros




Texto na Revista do Jornal O Globo


'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.

Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias..

Cinco dias!

Tempo para uma massagem..

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.

Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O silêncio é necessário



Não sei você caro leitor, mas estou me tornando uma pessoa cada vez mais calada.

E fico surpresa com o quanto isso incomoda as pessoas.

Uns insistem em me perguntar o que aconteceu comigo, se está tudo bem, se estou com algum problema em casa, com o namorado etc. Outros acham que a culpa é deles, acreditam que estou indiferente, aborrecida ou sabe-se lá o que passa na cabeça desses seres, que certamente estão com a consciência pesada. Isso que dá, falar demais ou agir impulsivamente sem pensar nas futuras conseqüências.

Já eu, deixo aqui escrito: estou bem, super bem, só quero ficar calada, posso?Incrível, mas numa certa altura de minha vida passei a observar mais o que me rodeava. Sejam os objetos, pessoas, situações, paisagens etc.

Dei-me conta que o mundo não está para ouvir nossas lamentações, nossos julgamentos, criticas ou qualquer ato que no fundo não acrescenta nada: nem para nós e nem para o próximo.

E mais... Não só deixei de falar muito, como também deixei de ouvir o excesso que os outros expulsam de suas bocas e tentam forçar a entrada em nossos ouvidos. Passei, a falar o básico, o necessário, sorrir mais, trocar mais gentilezas. Tente fazer isso e ao final do dia, vai constatar como seu dia foi produtivo e como seu sono tornou-se sereno.

Senti que me desgasto menos, seja fisicamente seja mentalmente. Mas, como já disse anteriormente, as pessoas odeiam quando você passa a agir desta forma, é uma total afronta; pode apostar!

Posso estar sendo extremista, mas o que presencio é que a população está cada vez mais doente: intolerante, mesquinha, egoísta, narcisista e com uma necessidade enorme de apontar o próximo, aproveitando-se para esconder sobre seus fracassos, medos e defeitos. É óbvio que sempre, desde o surgimento do mundo, existiu gente assim. Mas, atualmente a dor, a tristeza, a perda são sentimentos não toleráveis na sociedade, sendo muitas vezes burlados com remédios e com um consumismo desenfreado.

Adultos, crianças e idosos estão esquecendo o real sentido do sentimento, o quantum de valor moral que está agregado, e do amor e respeito ao próximo. É importante deixar claro que o "próximo" é tudo aquilo que nos cerca e não um grupo certo e definido de indivíduos.

Sentimentos são necessários e inerentes. É o que nos torna humanos, sensíveis ao ponto de querer viver em comunidade. No mais, é uma valoração afetiva; é a língua que o coração usa para se ter uma atitude emocional.

Que realidade é essa que as pessoas não podem nem expor o que sentem? Acordem! Tanto eu como vocês, todos nós, precisamos ter uma real catarse, liberar o que há de melhor dentro de nós. E não só isso, mas também nossos instintos, medos; o lado obscuro que existe em cada um, precisa ser revelado para que a luz possa entrar. Para que possamos nos aperfeiçoar como seres humanos. No fundo, somos bichos semi domesticados, que precisam de carinho, atenção, amor. Tudo isto é necessário para se lutar pela sobrevivência.

Luta essa, não devastadora: que pisa, massacra quem está do nosso lado, atrás, na frente ou embaixo. Quando digo “lutar pela sobrevivência” é achar meios para que a gente se adapte com as mudanças que virão a acontecer; mudanças políticas, sociais, ambientais etc. Mesmo que estas condições sejam desfavoráveis, devemos criar meios de subsistência, e é nestes momentos que aprendemos a nos conhecer melhor.

Temos muito que tratar dentro de nós, em vez de canalizar nossa energia tentando desvendar ou detalhar, de forma superficial e por vezes muito mal descrita a vida alheia.

O mundo precisa de desaceleração.Precisamos de um tempo a sós, carecemos nos olhar mais no espelho, nos manter em silêncio.

O eu, mais intimo, deve vir à tona, para que aja um esclarecimento do que sou e para que vim. Ainda há tempo para evoluirmos, para sermos fontes de água límpida, transparente e fresca. Que possamos, ser a luz dos cegos, a comida dos desnutridos, o aconchego dos sem lar.

Querer fazer o bem é limpar o aposento de nossa alma, abrir as janelas, semear sementes e deixar que a luz do sol entre e nos ilumine cada vez mais.

E assim... Vou levando uma vida mais pacata, sem preocupações. Passei a me conhecer mais e ter domínio sobre minha vida. Aprendi a me questionar, a me policiar, a cuidar da minha mente e valorizar meu corpo. Hoje eu posso falar com um sorriso no rosto e paz no coração que me tornei uma pessoa melhor, mas não boa o suficiente.

Como já diz meu avô: “Se temos dois ouvidos e uma boca, é porque devemos ouvir mais do que falar”. Ele é que está certo!

































Votar com inteligência- Dom Luiz Mancilha Vilela



As eleições se aproximam. Os candidatos apresentam-se com suas propostas. Espero que a emoção não nos leve a decisões erradas. É hora de priorizar nossa inteligência racional. Não se vota por emoção, mas pela razão ponderando bem os valores importantes para o nosso povo.

Contudo, sabemos que a emoção faz parte de nossa vida. Desde o nascimento o ser humano está revestido de profunda emotividade. Não é possível entendermo-nos sem os nossos sentimentos. A história de todos os dias encarrega-se de nos oferecer esta expressão do ser que se relaciona com a natureza e com o seu semelhante. Aos poucos, porém, aprendemos a refletir e a pensar.

A razão nos ensina a ver nossos limites, regula nossa expressão na comunicação com o outro. A razão vai nos ensinando que o ser humano não é puramente sentimento. A razão introduz o ser humano num processo de autoconhecimento e o ajuda a perceber que ele é uma unidade que raciocina e sente. O ser humano aprende que só se sentirá feliz se conseguir que seus sentimentos e sua inteligência estejam concordes.

Pois bem, razão e coração devem estar em equilíbrio se quisermos contribuir para algo bom, ou melhor, no mundo onde vivemos. Nem sentimentalismo nem racionalismo. Equilíbrio! Mas a razão tem o seu lugar importante neste esforço de equilíbrio do ser humano. A razão dirige nossos sentimentos. Não poucas vezes ouvimos esta expressão: "quando a inteligência não funciona o corpo padece"!

Neste tempo de eleições a emotividade vem à tona. As propagandas provocam a emotividade do eleitor, mas a emotividade sem inteligência pode nos levar a escolhermos erradamente os nossos candidatos. A emoção irracional pode conduzir o eleitor a atos que venham prejudicar o semelhante e a sociedade. A emoção sem a inteligência pode dividir as famílias e os amigos.

Ora, o voto consciente supõe o uso da razão sobre os sentimentos do eleitor. O eleitor consciente vota "com ciência" do que está fazendo, isto é, sabendo quem é o seu candidato, o que ele tem feito, seu comportamento ético, seus projetos para o Estado ou o país. O voto consciente não aceita ser expressão apenas do sentimento. O voto "com ciência" não é movido pelas imagens projetadas na mídia, pelos discursos, e não se coaduna com o fanatismo. O voto consciente é um voto racional, com conteúdo ético e moral, ciente de suas consequências para a consciência moral do eleitor e o Bem Comum.

Quando votamos emotivamente e sem inteligência, nosso País, nosso Estado, nossa cidade padecem. Votemos, pois, com inteligência e permaneçamos alegres. Nosso País, nosso Estado merecem que votemos com inteligência.

Dom Luiz Mancilha Vilela, é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

Confúcio



"Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nietzsche



"Toda ação exige o esquecimento, assim como todo organismo tem necessidade, não apenas de luz, mas também de obscuridade. (...) É possível viver quase sem se lembrar, e mesmo viver feliz (...), mas é absolutamente impossível viver sem esquecer".

domingo, 19 de setembro de 2010

Carta a um pai ausente


Pai que desconheço e que por fim, nunca vi,

por muitas vezes me senti sozinha, desamparada, frágil como qualquer animal que precisa de seu genitor para o proteger.

Quantas vezes tentei imaginar seu rosto, seu nome, sua profissão, suas qualidades e defeitos.Mas principalmente, os motivos que o levaram a me descartar, quando ainda estava no ventre de minha mãe.

Tentei imaginá-lo, um ser arrependido por seus atos, dotado de bondades e virtudes.

Quem sabe pudéssemos ser bons amigos, pai e filha unidos não só por laços sanguíneos mas algo mais forte,como as afinidades, que prolongam a união ao longo da vida.

Mas ao mesmo tempo, via que te buscar em pensamento era como tentar materializar algo que não tinha peso, forma e conteúdo.Podia te construir, misturar as genéticas, mas tudo evaporava em questões de segundos.

O mundo, por vezes, pareceu-me limitado: pequeno o bastante para percorrê-lo e investigá-lo. Para ter idéia da vontade que tinha em te encontrar pelos quatro cantos do mundo.Era nessas horas, que encontrava fé dentro de mim.

Foi a partir da sua ausência, que descobri o sentido da palavra saudade.Como doeu e como perturbou minha mente, durante alguns anos.

Sentir falta de quem eu nem mesmo conheço é algo inquietador para a alma.

Mas uma coisa é certa, por mais que essa carência seja suprida por homens mais dignos e mais virtuosos, ela nunca cessa.

Porque há distinções de carências e afetos.

Chorei dentro de quartos, em banheiros de escolas, vendo filmes, ouvindo músicas, na calada da noite ou quando o sol estava a pino.

Lágrimas que saltam não só dos olhos, mas que transbordam por cada poro do corpo.

Deparei-me, ao longo da vida, com situações constrangedoras: dia dos pais, reunião de pais e agora, quase chegando o dia do meu casamento, esta ausência parece incomodar-me ainda mais.Sinto mais uma vez, a sua falta.

Não nego, gostaria muito de saber os motivos que o levaram, a acreditar, que me abandonar seria o mais certo a fazer.Mas a vida é feita de escolhas, não me culpo porque não teria como, voltar no tempo, e te fazer mudar de idéia.

E mesmo que tivesse esse dom, não o faria. Creio no poder do livre arbítrio e assim o respeito.

Se pudesse te mandar esta carta, no momento, sem emitente algum.

Só teria que lamentar por ti pai, por teres perdido o melhor da minha vida e da tua também. E isso nunca mais o poderemos recuperar.

Sei que não somos insubstituíveis na vida do outro, porque seguimos nossas vidas, independente de um estar presente ou não. A verdade é que você não se tornou uma página tão significativa na minha vida para que eu optasse por não escrever nada por cima, para não apagar seu nome, nem sua lembrança de minha vida! Você nem se quer deixou seu nome e muito menos alguma lembrança, que eu pudesse guardar em minha memória.

Quem sabe, seja essa característica que adquiri da sua genética.Essa indiferença ao longo do tempo; essa falta de histórico na vida do outro.

As lágrimas secaram, isso não quer dizer que não te perdoaria.Sou boa o bastante para ainda te enlaçar em meus braços e te chamar de pai.

Ainda há esperanças dentro de meu coração.Sua presença sempre será esperada!Mas caso, esse dia não chegue, não sofrerei como antes.

Suportar é inerente ao ser humano! É um artifício acessório que vem junto com nossa existência, para que vivamos com mais facilidade.

Aprendi a não sentir falta do que nunca possuí.Hoje penso na sua ausência com resignação.

Já você, perdeu a oportunidade de ver sua continuação e construir um ser melhor do que você mostrou ser.

Mas o bom disso tudo, é porque nessa história houve superações.

Antes a sua ausência me deixou ausente de mim própria, agora há dentro de mim amor em demasia, e é isso que traz paz ao meu coração e esquecimento ao meu passado.

A palavra família será um bem jurídico eternizado, concreto e acolhido por mim.Desta forma, seus erros, serão redimidos com o passar das gerações.Seus descendentes receberão por mim e de minha família, o dobro de amor que eu deixei de receber de você.

Engraçado, porque mesmo diante dos motivos que tenho para não lhe ter nenhum sentimento fraterno, ainda assim, tenho que lhe agradecer, por minha existência.

Porque te acusar do que deixaste de fazer é desnecessário.

O fato de você desaparecer e evaporar de forma absoluta, nem sequer me deu o direito de indagar o porque o fizeste e o porque te foste.

Quem sabe um dia, a gente ainda se encontre, para que possa reparar seus atos.E então aja uma sintonia perfeita, alma encontrando alma! Uma conexão espiritual.

Um abraço,

De sua filha

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Míriam Leitão



Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? A vencedora de véspera já estendeu a mão, magnânima, à oposição; seus dois maiores caciques começaram uma briga intestina; cargos são distribuídos entre os partidos da base e os assessores já preparam os planos e projetos. Fala-se do futuro como inexorável.

O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral. Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante. Imagina o tempo e o dinheiro poupado se pesquisas, 30 dias antes do pleito, fossem suficientes para o processo de escolha?

A estrutura da Justiça Eleitoral, as urnas distribuídas num país continental, mesários trabalhando o dia inteiro, computadores contando votos; nada disso seria necessário. Mas como eleição é a democracia num momento supremo, respeitá-la é essencial.

Os que estão em vantagem, e os que estão em desvantagem, não podem considerar o processo terminado porque isso amputa a melhor parte da democracia, encerra prematuramente o precioso tempo do debate e das escolhas.

Dilma já sabe até o que fará depois de ser eleita, como disse na sexta-feira: "A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação do Brasil."

Os jornalistas insistiram, ela ficou no mesmo tom: "Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele (Serra) quer. Você pergunta para ele, se ele quiser, perfeitamente."

Avisou que se alguém recusasse, não haveria problema: "Pode ficar sem estender a mão, como oposição numa boa que vai ter dinheiro." Já está até distribuindo o dinheiro público.

Feio, muito feio. Por mais animador que seja para Dilma os resultados da pesquisa — e deve ser difícil segurar a ansiedade — ela deveria pensar em algumas coisas antes.

Primeiro, que falta o principal para ela ganhar: o voto na urna. Segundo, que o eleitor muda de ideia na hora que quer, porque para isso é livre. Terceiro, que, novata em eleição, deve seu sucesso a fatores externos a ela: o presidente Lula, o momento econômico e a eficiência dos seus marqueteiros.

Aliás, o marketing de Dilma tem sido tão eficiente em aparar todas as arestas de sua personalidade que criou uma pessoa que nem ela deve conhecer.

O salto alto não é só dela, a bem da verdade. A síndrome das favas contadas se espalha por todo o seu entorno, cada vez mais desenvolto. Por isso já começaram a brigar os generais de cada uma das bandas: Antonio Palocci e José Dirceu.

Da última vez que brigaram, os dois caíram. A disputa dos partidos da base de apoio pelos cargos públicos, como se fossem os despojos da guerra já vencida, é um espetáculo que informa muito sobre valores, critérios e métodos do grupo.

A desenvoltura do já ganhou é tanta que até o presidente Lula, dono da escolha autocrática de Dilma, parece meio enciumado e reclamou que já falam dele no passado. E avisou: "Ainda tenho caneta para fazer muita miséria."

A declaração inteira é reveladora: "Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país."

O sentimento é um perigo. O presidente Lula já está fazendo miséria. Atropelou o calendário eleitoral, zombou das multas na Justiça, pôs o governo que dirige para trabalhar pela sua candidata como se a máquina pública fosse um partido político.

Fonte: Globo.com



Ferreira Gullar



Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.

Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.

Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.

Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação ─ como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar ─ ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.

Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura ─ o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.

Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.

No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.

A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.

O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada ─ Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

'A verdade está na cara, mas não se impõe' por Arnaldo Jabor



O que foi que nos aconteceu?

No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, 'explicáveis' demais.

Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas.

Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola.

A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira!

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada!

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos!

Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo!

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz!

Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas. A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de 'povo', consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações 'falsas', sua condição de cúmplice e Comandante em 'vítima'!

E a população ignorante engole tudo... Como é possível isso?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.

Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.

Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito...

Está havendo uma desmoralização do pensamento.

Deprimo-me:

Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?'

A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo.

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais Aos fatos!

Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da república. São verdades cristalinas, com sol a Pino.

E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de 'gafe'.

Lulo-Petistas clamam: 'Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT ? Como ousaram ser honestos?'

Sempre que a verdade eclode, reagem.

Quando um juiz condena rápido, é chamado de exibicionista'. Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de 'finesse' do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...

Mas agora é diferente.

As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.

Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem , de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo.

Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em 'a favor' do povo e 'contra', recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o 'sim' e o 'não', teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.

Alguns otimistas dizem: 'Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de Verdades'!

VOTE NA DILMA por Arnaldo Jabor



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TSE retira comentário do Arnaldo Jabor do Site da CBN


Leia o comentário de Dora Kramer, Estadão de Domingo:

'A decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN, a pedido do presidente 'Lula' até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa.


Padre corajoso!




O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas.
Pois bem, veja o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva.

“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos”.

Frade Demetrius dos Santos Silva * São Paulo/SP
Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Amor de verdade



"O amor de verdade não é ideal porque é de verdade.

Não está nos finais felizes dos filmes e dos livros.

É o amor da vida real, desafiado pela rotina, pelo ritmo veloz do nosso tempo, pelos modelos de perfeição que inundam o nosso olhar.

O amor de verdade não tem modelos prontos. É o amor vivo, que construímos com nossas escolhas, que cultivamos com nossos gestos.

Gestos que encantam, inspiram e mantêm viva a cumplicidade.

Gestos de cada história, do jeito de cada um.

O amor que está vivo nunca está pronto".