Eu o amava e o odiava- odiava minha dependência dele. Mal tinha consciência de mim mesma, a não ser refletida em seus olhos, de cobalto.
Quando a paixão cega,muda e anestesiada perdeu seu efeito, não o amava e nem o odiava mais.
Em compensação, passei a me amar e a me odiar por passar por isso.
Senti-me uma autêntica idiota por não ter o controle da situação, por não ter agido diferente, mas ao mesmo tempo feliz, por ter vivido. Eu não sabia explicar, mas sabia sentir.
Passei a entender o motivo que leva o amor a ser sempre o centro de poemas, contos, novelas e músicas.
Nunca amamos na mesma intensidade e no mesmo momento, que nosso parceiro.
Se estivermos transbordando de amor, ele certamente, estará mais arredio ou tentará nos evitar.
Muitas vezes, nós mulheres, também estamos sem paciência para o amor e carinhos excessivos. Afirmarmos que o que queremos é atitude, que o excesso de romantismo, é algo chato e pegajoso.Mas, quando eles agem assim, sentimos falta de atenção.
Impossível entender estes dois gêneros tão distintos mas, tão complementares.Homens realmente parecem ter vindo de Marte, enquanto as mulheres parecem ter vindo de Vênus. Só como exemplo, é impossivel não lembrar da quantidade de homens de fogem da palavra compromisso enquanto, milhares de mulheres querem ouvir falar da relação.
O problema é que sofremos com estas diferenças, o que é uma bobeira. O certo seria evitar a amnésia e lembrar-se a todo o tempo que viemos de planetas diferentes e por isso, agimos de maneiras distintas.Se não entendermos isso, vamos continuar batendo a cabeça na parede, sem entender que homens sempre darão mais importância ao trabalho, aos amigos, aos desafios e às conquistas. Já as mulheres gostam de conversar, partilhar experiências e construir relações familiares.
Buscamos independência em diversos setores de nossa vida, mas no amor somos um fiasco, dependemos emocionalmente do outro, para estamos bem conosco.
Quando não temos alguém para pensar ao acordar e ao dormir, nos sentimos as pessoas mais infelizes do mundo, desamparada por todos. Parece exagero, para os homens, mas é só um deles perguntar à mulher mais próxima, que ele verá que é desta forma, que a coisa funciona.
Queremos ter alguém para ligar no meio da noite, queremos alguém para abraçar ao assistir um filme de terror, alguém para chamar de meu amor.Até porque, tendo a acreditar que ninguém deseja ter uma velhice solitária.
E a verdade é a seguinte, nós somos possessivas, queremos alguém para chamar de meu, e queremos ser a única na vida do outro, pelo menos desejamos isso, porque ser é outra história. Coisa difícil de entender, no meio feminino, é que ninguém é dono de ninguém, mas pela teimosia, perpetuamos esta idéia falha de consistência e realidade.
O sábio Tom Jobim, é que estava certo ao escrever a música Wave: “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”.
É claro, podemos sim, estar em paz, quando estamos solteiras, mas isso também dura pouco tempo.
Precisamos do frio na barriga, das crises de ciúme, da saudade, do sonhar acordada.
Os amigos são essenciais em vários momentos, principalmente no término de um namoro. Eles evitam as recaídas, as atitudes impulsivas e mal pensadas,como por exemplo, um telefonena inoportuno que damos de madrugada ao nosso ex, e que no outro dia a vontade que temos é apagar esta atitude lamentável da memória e, de preferência, da memória dele, se isso fosse possível.
Quantas pessoas ao terminar um namoro, de longa data, se perguntam: "e agora? o que vou fazer aos domingos, quando eu e ele tínhamos o costume de ficarmos juntos o dia inteiro? não vou aquentar e blá, blá, blá".
Amigos têm a capacidade e o dom de evitar esta melancolia, o que é muito bom, já que o maior índice de suicídio é domingo à noite, depois do programa Fantástico, não sei se é verdade, mas li uma pesquisa que foi feita, afirmando isso.
Necessitamos amar e transar também.
Transar, fazer sexo, fazer amor, como você bem quiser definir , já foi constatado que faz bem para a pele, para o humor etc. Quer coisa melhor? Para transar, não necessitamos, necessariamente, de um namorado, pode muito bem ser praticado com um amigo, desconhecido, ou você mesma pode se satisfazer sozinha, mas nada se compara quando é feito com alguém que palpite mais forte seu coração.
Se você vier me falar, que não precisa de ninguém para ser feliz, eu vou achar o máximo, te dar os parabéns por conseguir, porque eu, infelizmente ou felizmente, continuo precisando de um amor amigo.
Olhos nos olhos, dormir de conchinha, ser paparicada de vez em quando, receber flores, receber um eu te amo, ouvir uma música para lá de romântica e pensar nele. Só quem já amou e foi amada pode dizer a sensação que estas coisas trazem ao nosso coração.
O mais difícil disso tudo, não é vivenciar tudo que citei, mas sim, encontrar compatibilidade de interesses. Se for amor, que seja, pelo menos, verdadeiro, isso sim deve ser o fundamental.