Que o feminino seja sinônimo de beleza, não é apenas algo arraigado no imaginário social, mas algo que fez muita gente pensar, unindo em alguma medida pensadores tão diferentes quanto kant e Freud, Hesíodo e Lacan.E que a beleza seja um ideal que ultrapasse as formas-embora a elas ligadas- e não seja estática de modo algum, também se sabe. Mas talvez menos evidente seja o uso desses modelos e dessas fórmulas.Que as fórmulas funcionam, todos somos testemunhas disso: quem de nós não se vê capturado de modos muito diversos?
Porém, poucos de nós são capazes de sair dessa armadilha, já que, do lado das mulheres, estruturalmente,é através do olhar masculino que elas se reconhecem e aí elas sempre supõem que só poderão ser amadas e desejadas se corresponderem ao ideal de beleza desse outro que a olha. Cegam-se então a si mesmas, mirando no horizonte uma imagem estática e impossível, de perfeição, através da idéia de um corpo irrepreensível.


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